Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batatas - Resenha
Autora: Mary Ann Shaffer
Publicação: 2008
⭐⭐⭐
Kindle Paperwhite / Adaptação cinematográfica
Assim como o seu nome, esse livro é bastante peculiar e conta com elementos muito interessantes.
Confesso que eu vi o filme antes de ler o livro e posso afirmar que a história foi tão alterada, que não fez muita diferença a ordem. Alguns personagens muito importantes na trama, como Booker e Will, foram descartados na adaptação cinematográfica da Netflix e alguns fatos foram simplesmente ignorados. Além disso, a história de Eben e Amelia foi totalmente trocada e a personalidade da última foi muito modificada. Isso me deixou um pouco desapontada, pois transformou uma história fantástica em um clichê romântico.
"Não quero me casar só por casar. Não consigo pensar em solidão maior do que passar o restante da minha vida com quem não possa conversar ou, pior, com alguém com quem não possa ficar em silêncio"
O enredo em si é leve, divertido, bem construído e inteligente. Temas como machismo, homofobia e morte são abordados abertamente, o que é bem interessante, considerando que este é um livro "de época". A ideia de narrar a história por meio de cartas é muito diferente, mas me surpreendeu positivamente.
É surreal ver como, mesmo depois de tanta destruição, os personagens conseguem se reerguer e continuar com as suas vidas com o apoio uns dos outros. Cada um possui suas dores e perdas, mas isso não os impede de continuar com o sorriso no rosto e caridade no coração.
" O velho ditado - humor é a melhor maneira de tornar suportável o insuportável - talvez seja verdadeiro"
Gostaria de fazer um destaque para Juliet, Isola, Elisabeth e Amelia. Essas personagens são mulheres fortes e muito afrente de seu tempo, defendendo o feminismo e muitas outras causas que, no contexto histórico da trama, eram consideradas absurdas.
Particularmente, achei que alguns personagens poderiam ser mais bem estruturados. Além disso, o romance que acontece na história só ganhou força lá pelo final do livro. Confesso que fiquei meio decepcionada, pois ambos os personagens eram uns fofos e tinham muito potencial para serem um casal marcante.
Este livro nos mostra como a literatura e o amor aos livros unem as pessoas e tornam a vida, que muitas vezes parece insuportável, um pouco mais leve e divertida. Os livros são nossa forma de fugir da realidade e nos colocarmos no lugar de outras pessoas. Eles tem o poder de nos fazem rir, chorar e, principalmente, refletir.
"Talvez haja algum instinto secreto nos livros que os leve a seus leitores perfeitos. Se isso fosse verdade, seria encantador."
É muito legal saber que a ilha de Guersey realmente existe e passou pela ocupação. A autora arrasou nas pesquisas e isso fez toda diferença na escrita e compreensão dos fatos ocorridos na trama.
Este livro é muito especial e me fez refletir sobre muitas coisas, como a união, a guerra, a empatia, a amizade e a literatura. Recomendo muito!
Sinopse: “A sociedade literária e a torta de casca de batata conta a história de Juliet Ashton, uma escritora em busca de um tema para seu próximo livro. Ela acaba encontrando-o na carta de um desconhecido de Guernsey, Dawsey Adams, que entra em contato com a jornalista para fazer uma consulta bibliográfica. Começa aí uma intensa troca de cartas a partir da qual é possível identificar o gosto literário de cada um e o impacto transformador que a guerra teve na vida de todos. As correspondências despertam o interesse de Juliet sobre a distante localidade e narram o envolvimento dos moradores no clube de leituras – a Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata –, além de servirem de ponto de partida para o próximo livro da escritora britânica. O clube, criado antes de existir de fato, foi formado de improviso, como um álibi para proteger seus membros dos alemães. O que nenhum dos integrantes da Sociedade imaginava era que os encontros pudessem aproximar os vizinhos, trazer consolo e esperança e, principalmente, auxiliar a manter, na medida do possível, a mente sã. As reflexões e as discussões a respeito das obras os livraram dos pensamentos sobre as dificuldades que enfrentavam e ainda serviram para aproximar pessoas de classes e interesses tão díspares, de pescador a frenólogo, de dona de casa a enfermeira. Instigada pela força dos depoimentos, a jornalista decide visitar Guernsey, onde a convivência com as pessoas que conheceu por cartas e a descoberta sobre as experiências dos ilhéus lhe dão uma nova perspectiva. A viagem proporciona à escritora mais do que material para seu livro. Guernsey oferece a chance de recomeçar após a Guerra, fazer amizades sinceras e encontrar o amor – em suas diversas formas. O que ela encontra por lá, e as relações que trava, mudam sua vida para sempre.”



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